terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Comercialização dos produtos da agricultura familiar em Cachoeira do Sul


A agroindustrialização de alimentos na agricultura familiar constitui o processamento de alimentos em nível artesanal, com distribuição local e ou regional dos produtos em espaços de feira, minimercados, armazéns, etc. Por sua caracterização de agregação de valor a matéria-prima, constitui importante ferramenta de geração de trabalho e renda as famílias e expectativas de permanência de mulheres e jovens no meio rural. 
Objetivando oferecer um espaço para comercialização de produtos artesanais feitos pelos agricultores familiares, a prefeitura Municipal de Cachoeira do Sul, RS, desde março de 2011 vem realizando um trabalho de revitalização do espaço da Feira do Produtor, com inclusão de novos grupos de feirantes e promoção de eventos atrativos ao consumidor. 
Buscando conhecer a dinâmica sociotécnica de funcionamento da feira, o presente trabalho identificou os produtos comercializados, as condições de apresentação destes e a ocorrência, ou não, de acompanhamento técnico aos produtores. Para tanto, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, com um total de dezenove (19) feirantes, perfazendo uma amostragem de 42% do total de feirantes produtores de alimentos artesanais (45 ao total). 
Os dados observaram que a maioria dos entrevistados possui área própria, com produção de frutas, verduras, legumes, tubérculos, ovos, leite, mel, flor e produtos cárneos. A apresentação dos produtos se dá em sua maioria por meio de embalagens plásticas (mandioca, panificados, rapaduras) bandejas de isopor com papel filme (minimamente processados, legumes, verduras) vidros reutilizados (mel, geléias, compotas e conservas), garrafas pet (leite, vinho, banha e sabão) e de livre exposição, como os queijos e salames. Com relação a identificação dos produtos 100% possui selo de identificação, com dados do produtor, do peso do produto e em alguns casos (geléias), prazo de validade, estes selos feitos de forma artesanal e em sua maioria escritos “a punho”  pelo produtor.  Com relação a assistência técnica, 68,6 % dos entrevistados relatam não receber assistência, 15,7% recebem quando solicitado, sendo a Emater municipal a responsável, e outros 15,7% recebem assistência a cada dois meses, sendo esta de técnicos da Emater Regional de Santa Maria. 
Conclui-se a partir destes dados iniciais, que há uma potencialidade produtiva na Feira, com produtores organizados, local apropriado e circulação de consumidores, no entanto a ausência de uma assistência técnica continuada, acarreta em insegurança aos produtores e lacunas técnicas na apresentação dos produtos, principalmente no que se refere ao leite e carnes, comercializados sem refrigeração adequada, acarretando em riscos ao consumidor, ponto que seria equalizado por meio de orientação continuada. Percebe-se que o processo de revitalização da Feira, pela Prefeitura Municipal, muito embora venha constituindo oportunidade de trabalho e renda aos agricultores familiares, não vem investindo em capacitação destes, o que traria mais garantia e credibilidade dos produtos junto aos consumidores. 
Assim o processo de revitalização da feira do Produtor, dá-se de forma direta pela estrutura, espaço e eventos, e indireta nos quesitos de qualificação dos processos produtivos e de comercialização, uma vez que o conhecimento dos produtores advém das trocas entre os feirantes e não de orientação técnica dirigida e continuada, o que traria ganhos tanto para produtores, quanto consumidores.

Taiany Schieresz de Souza é aluna do Curso Superior de Tecnologia em Agroindústria e Gisele Guimarães é professora da UERGS - Cachoeira do Sul